O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou, nesta quarta-feira, 6, o ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP), a 25 anos e 9 meses de prisão por crimes como dispensa indevida de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A decisão foi tomada por maioria de votos — oito ministros votaram pela condenação, seguindo o entendimento da relatora, ministra Nancy Andrighi. Outros três ministros divergiram parcialmente, propondo pena menor, de 16 anos.
Além da pena, Cameli foi declarado inelegível por oito anos, conforme prevê a Lei da Ficha Limpa, por se tratar de condenação por órgão colegiado. A restrição pode ser suspensa caso a defesa obtenha decisão favorável na Justiça Eleitoral.
O ex-governador renunciou ao cargo em abril deste ano e pretendia disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro.
O processo tem como base investigações da Operação Ptolomeu, que apura um esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e pagamento de propina em contratos relacionados à manutenção de prédios públicos no Acre.
De acordo com a denúncia, um dos pontos investigados envolve um contrato firmado em 2019 entre a Secretaria de Infraestrutura do Estado e a empresa Murano Construções. Segundo as apurações, após a assinatura do contrato, a empresa teria estabelecido parceria com outra empresa ligada ao irmão do então governador, que teria recebido valores milionários.
A investigação também aponta a aquisição de um apartamento em São Paulo, avaliado em cerca de R$ 6 milhões, que, segundo os investigadores, teria sido utilizado como forma de pagamento de propina.
Até a última atualização, a defesa de Gladson Cameli não havia se manifestado oficialmente sobre a decisão. Em ocasiões anteriores, o ex-governador sempre negou irregularidades em sua gestão.
O caso ainda pode ser objeto de recursos nas instâncias superiores.
Fonte: Estadão