O Impacto da Paralisação da Ricco Transportes

A mobilidade urbana de Rio Branco enfrenta um de seus momentos mais críticos nesta sexta-feira, 14 de
março. A concessionária Ricco Transportes oficializou a suspensão das atividades em 31 linhas estratégicas, alegando um severo desequilíbrio econômico-financeiro.
A medida, descrita pela empresa como reflexo de uma conjuntura multifatorial — que envolve desde o aumento nos custos operacionais até a queda na arrecadação —, retira de circulação uma parcela significativa da frota que atende bairros periféricos, zonas rurais e polos estudantis.
O Mapa da Suspensão
Confira as 31 linhas paralisadas, segundo a relação divulgada pela empresa:
- 101 – Santa Inês
- 102A – Taquari/Praia do Amapá
- 105 – Amapá
- 106 – 6 de Agosto / Judia
- 107 – Recanto dos Buritis
- 108 – Polo Belo Jardim
- 109 – Polo Benfica
- 113 – Jacarandá
- 114 – Ramal Bom Jesus
- 115 – Ramal Castanheira
- 117 – Belo Jardim I
- 118 – Belo Jardim II
- 119 – Ramal do Canil
- 134 – Baixa Verde
- 205 – Irineu Serra
- 303 – Bahia / Carandá
- 304 – Aeroporto Velho/Cabreúva
- 381 – Transacreana km 58/44 e 25
- 382 – Polo Wilson Pinheiro / Transacreana km 18
- 384 – IFAC / Transacreana
- 402 – Floresta / Compras
- 701 – São Francisco / Placas
- 702A – Apolônio Sales/Mangueira
- 702B – Apolônio Sales/Apadeq
- 703 – Wanderley Dantas / Café Contri
- 705 – Quixadá
- 706 – Panorama
- 708 – Apolônio Sales/Altamira
- 801 – Morada do Sol / Tropical / Cohab do Bosque
- 803 – Manoel Julião
- 805 – Aviário / Cadeia Velha
Consequências Imediatas
O cenário atual coloca milhares de usuários em uma situação de vulnerabilidade logística. O cancelamento de linhas como a 384 (IFAC) e a 402 (Shopping) interfere diretamente na frequência escolar e na jornada de trabalhadores do setor de serviços.
Até o momento, aguarda-se um posicionamento oficial da RBTRANS sobre possíveis planos de contingência, como o remanejamento de frotas de outras operadoras ou a contratação emergencial de veículos para suprir os itinerários abandonados.
Desdobramentos
A repercussão foi imediata. Em nota divulgada neste sábado, o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (SINTTPAC) afirmou que a paralisação foi uma decisão unilateral de Ricco e disse que não houve comunicação prévia à entidade. Segundo o sindicato, a medida surpreendeu tanto os trabalhadores quanto os usuários do sistema.
A nova suspensão acontece em meio a um cenário de instabilidade no transporte público da capital. No último dia 9 de março, a Prefeitura de Rio Branco lançou o edital de concorrência pública para a concessão do transporte coletivo urbano. Enquanto a licitação não está concluída, a operação segue sob responsabilidade do próprio Ricco, em contrato emergencial renovado por mais seis meses.
O tema já vem gerando desgaste público nos últimos dias. Em 11 de março, os vereadores aprovaram uma convocação de representantes da Ricco, da RBTrans e da empresa responsável pela bilhetagem eletrônica para prestarem esclarecimentos na Câmara Municipal sobre a situação do serviço na capital.
Com a paralisação anunciada, a população volta a enfrentar a incerteza sobre a regularidade do transporte coletivo em Rio Branco, justamente em um momento em que o município tenta encontrar uma solução definitiva para um sistema que há anos opera sob contratos provisórios e sob constantes questionamentos.
O Horário Nobre segue acompanhando os desdobramentos desta crise e a resposta do poder público municipal diante do isolamento forçado de dezenas de comunidades.












