Quem cresceu no Acre sabe que tem uma brincadeira que atravessa gerações.
Criança, adolescente… e muito marmanjão também.
Soltar pepeta.
Pois bem.
Lá na rua Brasília tinha um menino chamado Bocalom.
Ele tava lá, animado, correndo no meio da rua, levantando sua pepeta.
E a bichinha começou a subir…
subir bonito…
parecia que ia pegar vento e ganhar o céu.
Mas aí apareceram dois meninos mais experientes da rua:
Marcinho e Valdinho.
E eles não vieram brincar leve não.
Vieram com pepeta na linha chilena.
Foi só esperar a pepeta do Boca subir um pouco…
e tcham!
Deram aquele famoso no pé do peitoral.
Quem já soltou pepeta sabe.
A linha canta…
a pepeta treme…
e de repente SUPAPO!
A bichinha deu uma puxada violenta pra trás.
Os dois ainda tentaram cortar de vez…
aparar ali no alto…
mas não deu.
Porque o menino Boca fez o que qualquer menino teimoso da rua faz.
Saiu correndo atrás da pepeta.
Pulou cerca de quintal…
passou por cima de muro…
atravessou terreno baldio…
E no fim das contas, conseguiu recuperar a pepeta.
Agora ele saiu dizendo que vai levar ela pra outro lugar…
arrumar mais linha
e soltar de novo…
bem longe desses dois meninos maus da rua Brasília.
Agora vamos ver uma coisa.
Se a pepeta do Boca ainda pega vento…
ou se vai ficar só voando baixo, fugindo de linha chilena.
Cicho Treta.










