Trabalhadores pedem suspensão da terceirização do Hospital do Alto Acre e apontam falhas no edital, em reunião na Aleac  

caderno: Saúde – Gestão Pública

A Comissão de Saúde Pública da Aleac reuniu, na terça-feira (24/02/2026), deputados, trabalhadores do Hospital do Alto Acre e representantes da sociedade para discutir o processo de terceirização da unidade, que atende a regional do Alto Acre.

O presidente da comissão, deputado Adailton Cruz (PSB), abriu o debate defendendo a suspensão imediata do processo, dizendo que é preciso reavaliar tudo com cuidado para não prejudicar o atendimento à população nem os direitos dos servidores.

O que os trabalhadores criticam

Representando cerca de 300 servidores, Jacson Manoel Rocha disse que a equipe analisou o edital e encontrou lacunas e inconsistências. Ele afirmou que a mobilização não é contra pessoas ou partidos, mas sim contra o conteúdo do documento.

Entre as críticas, ele destacou:

  • Prazo curto: edital publicado em 1º de dezembro e chamamento já em 12 de dezembro, sem debate amplo antes;
  • Falta de discussão prévia com a sociedade (como audiência pública antes do edital);

Justificativas contestadas no próprio documento, como a ideia de que o Estado não teria capacidade técnica para gerir a unidade.

 

A técnica de enfermagem Roberta de Oliveira reforçou o pedido de cancelamento do edital, argumentando que a principal justificativa seria contratar especialistas — mas que, segundo ela, o problema seria mais de valorização e pagamento correto dos profissionais do que falta de especialistas.

Destaque: o que disse a deputada Michelle Melo

A deputada Michelle Melo (PDT), que também é médica, afirmou que entende a mobilização e que o objetivo de todos ali é o mesmo: garantir uma saúde pública de qualidade. Disse que foi informada de que a suspensão “na hora” poderia não acontecer por depender de estudos, mas destacou que recebeu sinalização de que o governo está aberto ao diálogo e ouvindo a área da saúde.

Governo diz que processo já está suspenso

No fim da reunião, o secretário de Governo, Luiz Calixto, informou que a terceirização está suspensa administrativamente desde 19 de fevereiro e que, pelo Executivo, não haverá continuidade. Ele explicou que existe uma ação na Justiça em andamento, e que o Estado vai aguardar a decisão judicial.

Adailton Cruz encerrou dizendo que, com a suspensão administrativa confirmada, o tema principal foi superado, mas que a vigilância continua, e qualquer discussão futura precisa envolver comissão, sindicatos, Conselho de Saúde e outros órgãos.

Fonte: Aleac (Agência Aleac — texto de Mircléia Magalhães).
Redação Horário Nobre

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